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Prisco. Cria do PT se volta contra o criador

Prisco. Cria do PT se volta contra o criador Foto: divulgação

Para o jornalista político Levi Vasconcelos, greve da PMBA mostra que os autores do maior tombo político da era Wagner são os mesmos apoiados pelos petistas na paralisação de 2001, numa versão bem piorada

09 do 02 de 2012 às 13:47

Por Levi Vasconcelos_Bahia 247

Diz o jornalista Paulo Oliveira, de A Tarde, que Marcos Prisco está para o governo de Jaques Wagner como Osama Bin Laden está para os EUA.

Os EUA, como se sabe, treinaram, armaram e financiaram Bin Laden para combater a invasão do Afeganistão (de 1979 a 1989) pela antiga União Soviética e em 11 de setembro de 2001 viram sua cria produzir e gerar o atentado do World Trade Center, o maior da história.

O PT, como se sabe, embarcou de corpo e alma no apoio à greve da PM de 2001, contra o governo César Borges, o penúltimo da era carlista. Agora, assistiu Marcos Prisco, um dos líderes de 2001, comandar a ocupação da Assembleia Legislativa e deflagrar a greve que abalou a reputação política do governo de Jaques Wagner.

Wagner apanhou forte da mídia, especialmente do sul. O mínimo que disseram foi que se trata de um governo “fraco”, claudicante. Como se o governador, que emergiu para o cenário político no movimento sindical, habituado a emparedar empresários, não soubesse o que fazer quando se viu emparedado. Deu um upgrade no seu mar de desgastes com a invasão e desocupação da Assembleia na manhã desta quinta. Mas o estrago já está feito, no corpo da PMBA, com a necessidade de restaurar a quebra da ordem hierárquica, e no governo do PT, que pegou o irremediável carimbo de ter criado cobra para se morder ao custo de imensa repercussão internacional negativa.

 

A INAUGURAÇÃO DO TERROR

 

Nos ciclos governistas se dizia que havia sérios indícios do envolvimento de grevistas nos atentados contra mendigos nas ruas. Dentre as 122 vítimas de assassinato contabilizadas na capital baiana em menos de uma semana, Jesline Carvalho, de 20 anos, foi morta quando amamentava o filho bebê na Praça da Piedade, coração de Salvador.

Também teriam apontado armas para a cabeça de motoristas de ônibus, mandado os passageiros descerem e atravessado os veículos na pista. Ou tomado de assalto um ônibus escolar cheio de crianças e ordenado que todo mundo descesse para tocar fogo no carro. Tais atos - atitudes deliberadas de afronta ao Estado - foram deflagrados simultaneamente à ocupação da Assembleia e eram ingredientes novos nas paralisações da PM. Nas anteriores, em 1981 e em 2001, não houve nada similar.

 Com o adendo: o governo sempre disse tratar-se de movimento articulado, em nível nacional. As gravações divulgadas pela Globo no Jornal Nacional da noite de quarta robusteceram os indícios de que os argumentos do governo estavam certos. Ficou evidente que a pretensão era conturbar, também, o carnaval em Salvador, Rio e São Paulo.

Se o movimento queria produzir pânico na população, conseguiu. E evidenciou que o Prisco de 2001, se sofisticou, para pior, na arte de parar PMs. Esteve no Ceará e no Maranhão também participando de movimentos grevistas. Na Bahia de Jaques Wagner, conseguiu seu maior sucesso, a adesão quase total da PM.

Claro que Marcos não é essa liderança toda. Não tem força para paralisar uma corporação de 30 mil homens. Se assim o fosse, haveríamos de concluir que a PM baiana teria dois comandos, o do governo e o paralelo. Fogo só pega em palha seca e Prisco teve a iniciativa de riscar o fósforo.

Há no seio da PM baiana uma insatisfação incontida por conta de acordos não cumpridos na greve de 2001, como o pagamento da GAP V, mais problemas de gestão, segundo especialistas. Juntou alhos com bugalhos. O governo, por incompetência ou prevaricação, avaliou mal e se deu mal.

Ou melhor, provou do veneno da cobra que ele ajudou a nutrir de uma forma ou de outra. Prisco ganhou na Justiça o direito de ser reincorporado, apoiou Jaques Wagner na campanha de 2006 e acalentava a esperança de voltar à tropa. Não foi atendido e andava nas redações de jornais a se queixar da ingratidão.

Entre os petistas, houve até quem tivesse sugerido a integração dele ao governo num cargo qualquer, uma espécie de cala-boca. Wagner não quis, ele seguiu outro caminho e deu no que deu. O prejuízo não foi só para o governo. A Bahia também saiu melada com a intensa repercussão internacional negativa. O que vai exigir, tal e qual a restauração da ordem hierárquica na PM, longo e penoso processo de reabilitação, já que o governo ficou sob suspeita. De fraqueza.

 

A INVASÃO DA ASSEMBLEIA

 

O governo decidiu invadir a Assembleia e desocupar o prédio a partir das gravações, feitas pela Polícia Federal, com ordem judicial, e deliberadamente vazadas para a imprensa, que provaram as articulações de Prisco com outros líderes nacionais, do Rio especificamente.

Nas gravações, ele pedia para os colegas virem para a Bahia imediatamente. E até descartou a proposta de incêndio de duas carretas na BR-116, para esquentar a greve em Salvador com o propósito de criar situações similares no Rio e em São Paulo, visando o alvo maior, inviabilizar o carnaval nas três cidades (o que daria uma repercussão internacional para o Brasil, sem precedentes em termos de danos).

Era algo por demais pretensioso em termos de desafio ao Estado. E aí o problema deixou de ser de Dilma e Wagner para se tornar mais de Dilma. Foi a gota d’água. Agir rápido era fundamental. Ao mesmo tempo em que Dilma tirou do comando das operações na Bahia o general Gonçalves Dias, comandante da 6ª Região Militar, que recebeu bolo dos grevistas e chorou emocionado, o esquema político foi acionado.

Na tarde de quarta, o secretário César Lisboa, das Relações Institucionais, ficou encarregado de reunir-se com os deputados estaduais da base governista e o próprio governador Jaques Wagner com os federais e mais os senadores. Queria sondar os ânimos políticos. E havia posições divergentes.

Na reunião dos estaduais, o deputado Sargento Isidório (PSB), um dos líderes da greve de 2001, e o Capitão Tadeu (PSB), egresso da PM que se dizia contra a greve, mas a favor do ‘movimento reivindicatório’, dominaram a cena. Ambos foram contra a invasão da Assembleia e a prisão dos líderes do movimento. Os demais ficaram mais tempo calados do que falando. Ficaram com medo dos dois, mais militares do que governistas, irem contar e criar indisposições futuras entre os PMs.

A bancada federal foi mais incisiva. Após Wagner expor todas as ações de boa vontade que diz ter tido, manifestaram-se francamente favoráveis ao endurecimento do jogo. O caminho estava pavimentado. O governo cujos principais mandatários já tinham apoiado uma greve na mesma corporação estava com carta branca para agir com o rigor que outrora combatia. E era um caminho de mão única: ou agia ou se desmoralizava, detonado pelas cobras que ele ajudou a criar.

Detalhe curioso: a senadora Lídice da Mata, presidente do PSB na Bahia, o partido de Isidório e Tadeu, fazia a ressalva, de que sempre olhou o apoio a movimentos com o da greve de 2001 com um pé atrás. ‘Eles nunca nos apoiaram, nunca votaram na gente e carregam armas’. Pena que tal avaliação não foi feita pelas esquerdas em 2001, ávidas que eram, em atingir o carlismo.

 

A VOLTA DO CIPÓ

 

Hélio Schwartsman, em artigo na Folha de São Paulo, diz que há algo de pedagógico na alternância do poder. Diz ele: “Percebemos com que facilidade situação e oposição trocam de papéis e de princípios. A greve da PM baiana é uma oportunidade sem igual de ver a natureza humana em ação. Em 2001, membros da corporação deflagraram uma paralisação que também degenerou em violência. Na ocasião, o PT, por intermédio de Lula, defendeu a legitimidade da greve e responsabilizou o governo baiano, que era do PFL, pela barbárie. Hoje, o governador petista Jaques Wagner chama alguns grevistas de bandidos e se recusa a negociar”.

É algo para se refletir. Ressalte-se: não é verdade o fato de que Wagner tenha se recusado a negociar. Pelo contrário, deu mais a sensação de estar sem saber o caminho a seguir. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, desembarcou em Salvador dizendo ter feito reserva de vagas em presídios de segurança máxima para encaminhar os policiais militares grevistas. Algo desastrado para quem pretendia construir uma saída tranquila num conflito com policiais.

Seja como for, havemos de convir, o PT de hoje é muito diferente do de 2001, quando ainda não havia chegado ao poder. Naqueles tempos, era o dono da moralidade, até que veio o mensalão e desmontou a máscara. Ideologicamente também nada tem a ver. Em 1988, por exemplo, o diretório nacional do partido publicou uma circular manifestando sua oposição frente à nova Constituição, em vias de nascer, após o fim do regime militar:

"O PT, como partido que almeja o socialismo, é por natureza um partido contrário à ordem burguesa, sustentáculo do capitalismo. (...) rejeita a imensa maioria das leis que constituem a institucionalidade que emana da ordem burguesa capitalista, ordem que o partido justamente procura destruir".

Nítida posição de esquerda extremada, abandonada progressivamente na década de 1990. Talvez até devesse assim ser. Era num tempo em que Lula bradava que se alguém visse um terreno abandonado “é para invadir”. Ele se candidatava à Presidência, mas não imaginava o tamanho da responsabilidade quando lá chegasse. Não cultivou a serenidade que depois cobraria.

Em 2001, estava longe disso, mas ainda perto de apoios a movimentos como a greve da PM. O PT de hoje, inclusive o da Bahia, é outra coisa. Botou em seus braços inimigos de outrora, os “picaretas” que ele tanto criticava. Virou a casaca e entrou de sola no esquemão.

Como pagou caro agora com Prisco, um dia ainda pagará pelo abraço incondicional aos picaretas. Nada será novo. Apenas “a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar”, como diz o poeta.

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comentários para “Prisco. Cria do PT se volta contra o criador”

  1. junqueira 4.04.2012 às 18:34

    É necessário que além de reclamar a população se volte efetivamente para combater essa corja de políticos que estão fazendo nosso país e principalmente nossa Bahia sangrar cada vez mais. Se continuarmos dessa forma a hemorragia nos levará a uma sociedade ainda mais doente do que a atual. Essa classe política que aí se encontra deve ser erradicada do cenário político brasileiro e, principalmente baiano. E você cidadão, da próxima vez que for às urnas, vá consciente do seu papel e não guiado por pequenas e irrisórias vantagens pessoais.

  2. junqueira 4.04.2012 às 18:30

    É necessário que além de reclamar a população se volte efetivamente para combater essa corja de políticos que estão fazendo nosso país e principalmente nossa Bahia sangrar cada vez mais. Se continuarmos dessa forma a hemorragia nos levará a uma sociedade ainda mais doente do que a atual. Essa classe política que aí se encontra deve ser erradicada do cenário político brasileiro e, principalmente baiano. E você cidadão, da próxima vez que for às urnas, vá consciente do seu papel e não guiado por pequenas e irrisórias vantagens pessoais.

  3. Menezes 24.02.2012 às 13:03

    Faltou dizer que o A Tarde e seus jornalistas, que eram contra o Carlismo, ficaram em extase durante a greve da PM de 2001. E deram total apoio, batendo o tempo todo no governo. Mas que durante o atual movimento, ficou ao lado do governo, inclusive com materias falsas e mentirosas. Inclusive este texto que foge bastante da linha que foi utilizada em 2001! HIPOCRITA NÃO É SÓ O PT!

  4. EDUARDO 12.02.2012 às 20:18

    Quem poderia um dia imaginar que um dia o PT( PARTIDO DOS TRAIRAS) poderia jogar todos os seus ideais de outro na lama. a presidente se disse " ATORRORIZADA", ´só esqueceu-se de dizer que ha pouco tempo atrás já participou de SEQUETROS, ASSALTOS E ATÉ MESMO ASSINATOS. quanta mudança ideoligica!!

  5. febron 12.02.2012 às 09:26

    Antes de saber criticar, é preciso ter conhecimento sobre o assunto para não firar baderna, isto em qualquer assuto. "Quer saber quem é o homem dê poder a ele (mesmo que seja financeiro)." O pior cego é aquele que não quer ver. Do jeito que tá a carroagem o governo levará o Brasil para um ditadura ou para o caos. Estão perdendo o rumo por ter seu ideal perdido, o de lutar pelo povo. Os cubanos que o digam sobre o apoio do governo brasileiro aos seus ditadores. Por aqui, à época, a prisão que levaram no regime militar murmuram até hoje(olha que nem todos a levaram, mas para fazer midia , dizem que é o fundamento da indignação do antigo Pt). Ah! se os cubanos pudessem falar o que é realmente ser presos, até hoje tem presos políticos. Ditadores são homenageados. Que vergonha.

  6. Isaíaso Machado 11.02.2012 às 10:43

    Marco Prisco é um bandido como vários outros bandidos que estão escondidos nos sindicatos baianos, não que essa relação seja novidade mas agora a coisa está saindo dos limites. Onde estão os assassinos de Colombiano? E não se enganem, não demora esse pulha vira vereador, depois deputado e quando menos esperarmos está no palanque de braços dados com Wagner. Ninguem vale nada nessa política e do jeito que vai esse pais vai se tornar uma nova Itália com máfias e um poder paralelo controlando todo o estado, se isso acontecer vai demorar muito tempo até acharmos um Berlusconi da vida, porque aqui quase acabaram com a raça da Eliana Calmon. Mas voltando ao assunto, a descrença e a decepção são a cara do eleitorado baiano minimamente esclarecido. Uma balburdia, assim é a Bahia.

  7. Ivete Brown de Asa Leitte 10.02.2012 às 12:54

    Ah! Que bom você chegou, bem-vindo a Salvador coração do Brasil. Vem, você vai conhecer, o estado que é do PT, agora tem fuzil, tem fuzil!! Vai compreender que PM quer, a greve lá no Rio, que o grevista fez ligação e foi pra Puta que Pariu!! We are carnaval, we are, we are folia, we are, we are the world, of carnaval, mas sem polícia!!!!!!!!!!!!!!!!!

  8. Marcos 10.02.2012 às 00:11

    Texto brilhante, Levi. O que o Psol faz hj, irresponsavelmente estimular uma greve nacional nas Policias Estaduais sem se preocupar com a ameaça à sociedade, sem nenhuma solidariedade com a dor dos 130 mortos na grande Salvador é a mesma coisa que o PT fazia como aquela declaração de Lula em 2001 a favor da greve de polícia e a lei de anistia que ele sancionou sem nenhum temor com a desordem que uma greve de polícia acarreta. Espero que fique o aprendizado institucional: existem temas que estão acima das disputas partidárias pelo poder pq eles são a garantia das nossas conquistas democráticas. Greve de policia armada não pode e pronto. Espero que a gente sobreviva a esse grave momento da nossa história.

  9. claudio 9.02.2012 às 22:39

    O mandado de prisao dos doze o governo disse que sera cumprido custe o que custar tanto que cumpriu,até com o derrame de sangue de inoscente, porque se os grevistas tivessem querendo baderna e nao aumento justo de salario eles iam reagir a invazao da policia federal e comcerteza iria ter morte nao foi oque aconteceu.o mandado de prisao nao tinha nem 24 horas e eles ja queriam cumprir custe o que custa .Agora a lei 7.145 lei da gap de 1997 que ja tem 15 ele não quer cumprir. se a 15anos atras o pagamento da gap era imediato como é que depois de 15anos ele quer negociar pra começar a pagar depois de 3anos e num mandto que nao será mas dele, haja vista, que ele esta no ultimo mandato e nem se pudesse se candidatar denovo ganharia.wagner quer deixa o problema do nao pagamento da gap 5 pro proximo gorverno .ele quer que a pm faça greve no governo ods outros tambem é...

  10. jose 9.02.2012 às 22:27

    Não sei porque muita gente ainda acredita no que os governantes falam,se sabem que eles so fazem mentir.pessoal não se fica na duvida em quem confiar não! Mas o que eu posso garantir é que nunca se deve confiar em politicos isso eu garanto comcerteza. prova disso é que eles so falam mentiras e nunca cumprem o que prometem em épocasde campanha. o governador é o culpado de tudo isso porque todos os outros estados os governadores negociar da melhor forma só esse wagner que é intransigente, o problema dele com prisco é mas pessoal que social isso ta na cara.

  11. Paula Lima 9.02.2012 às 17:28

    Tah certo que o PT não flor que se cheire, mas esse Prisco para mim é um terrorista. E terrorista para mim merece cadeia. O cara se aliou com outros terroristas do Rio e (incluindo aí Garotinho) e tocou o medo na Bahia. Até agora 147 pessoas mortas por causa da greve. Ainda me vem falar de anistia. que cinismo. não sei que país é este não. Não podemos confira na justiça. Este sacana é filiado ao PSDB e não duvido nada de nas próximas eleições sair candidato e ganhar... PAREM O MUNDO QUE EU QUERO DESCER!

  12. José Cunha 9.02.2012 às 17:28

    Tanques, soldados, armas, cercas, generais e fardas, agora tem, tem, tem!!!

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