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Na Bahia, só mais um episódio
Servidores mal remunerados mais inação dos governos é igual a greves violentas e que só prejudicam a população
Quando servidores públicos entram em greve, os mais prejudicados também são seus patrões, só que nesse caso o conceito de patrão não se confunde com o de empresário. Os patrões dos servidores públicos são os cidadãos brasileiros, que pagam impostos diretos e indiretos e mesmo os que não pagam imposto nenhum. Em outras palavras, a população é que é prejudicada quando servidores públicos, especialmente de áreas essenciais, como saúde, segurança e educação -- mas não apenas eles -- fazem greve.
E há, nas greves de servidores, outra contradição: os cidadãos, que perdem com elas, não são os que negociam com os trabalhadores públicos e também não podem decidir se concederão, ou não, o que pedem os grevistas. Quem resolve são os governantes. Nas greves de empregados privados, os patrões são prejudicados, negociam e concedem ou não o que é pedido.
Um trabalhador da indústria parado significa que a produção daquela fábrica está paralisada. Um empregado do comércio parado significa que aquela empresa não está vendendo. O consumidor poderá ficar sem os produtos que deseja, pelo menos por um tempo. Para a população, nada muito além disso.
Já um médico ou auxiliar de saúde parado significa que pessoas doentes não serão atendidas. Um professor em greve faz com que alunos fiquem sem aulas e em casa ou nas ruas. Um policial em greve faz com que a cidade não tenha policiamento e assim aumente a insegurança dos cidadãos.
Há algumas outras diferenças entre greves em empresas privadas e greves em serviços públicos, mas essa é suficiente para mostrar que não é possível tratá-las como se fossem a mesma coisa, iguais em sua natureza e em suas consequências. Outras questões têm de ser consideradas: greve de servidores públicos desarmados não é igual a greve de servidores públicos armados; as greves de empregados de empresas privadas que prestam serviços a órgãos públicos ou têm concessões públicas causam mais prejuízos à população que a seus patrões.
Um servidor armado em greve ameaça as pessoas, as instituições e a ordem pública. Um empregado de concessionária de serviços públicos, como empresas de transporte ou de energia, por exemplo, podem, em greve, causar enormes prejuízos à população. Um trabalhador privado que faz vigilância em bancos e agências do INSS prejudica as pessoas que precisam desses serviços, quando fazem greve.
Diante de tudo isso, porém, há um fato inquestionável: como regra geral, servidores públicos ganham mal e, em diversas categorias profissionais, há uma incoerência entre o que recebem e a importância que têm para a sociedade. É o caso, especialmente, de médicos, professores, pesquisadores, bombeiros e policiais civis e militares. Basta dizer, para dar um só exemplo, que um ascensorista ou motorista do Senado ganha muito mais do que policiais, médicos e professores em todo o país. Até em Brasília, onde essas categorias essenciais são mais bem remuneradas do que nos estados, há castas de servidores públicos não essenciais que ganham muito mais do que eles.
Como a injustiça evidente não é tratada como deveria pelas autoridades públicas, os trabalhadores públicos entram em greve, tida como último recurso quando as negociações não avançam, e causam enormes problemas não para essas autoridades, mas para a população. E da greve para abusos, como os que ocorrem na Bahia, na paralisação dos policiais militares e bombeiros, é um pulinho.
Os episódios na Bahia estão mostrando como é perigosa uma greve de servidores armados e responsáveis pela segurança da população. Mas não é a primeira nem será a última greve de policiais. Um resultado positivo seria que essa greve servisse para que os governos federal e das unidades federadas, assim como os parlamentares em todos os níveis, saíssem da letargia e procurassem tomar duas providências básicas. A primeira, fazer um reestudo sério sobre a falta de critério nas tabelas salariais de servidores; a segunda, procurar as centrais sindicais e as entidades representativas dos servidores públicos para discutir abertamente o problema, e que a população fosse informada dessas conversas.
Mas isso dificilmente acontecerá, porque uma característica do pedantemente chamado "presidencialismo de coalizão" – e não de um partido ou outro -- é não discutir nem tentar resolver os problemas reais e que mais atingem a população de modo mais amplo. Para evitar atritos políticos com aliados, em respeito ao corporativismo militante, ou para não perder apoios em eleições que se realizam de dois em dois anos, e por razões desse tipo, prefere-se deixar os problemas do jeito que estão ou tratar de alguns deles de maneira paliativa, a perder de vista.
É por isso que não há reforma do Estado, não há reforma política, não há reforma tributária, não se pensa seriamente nos problemas que hoje podem ser empurrados com as barrigas, mas que fatalmente estourarão mais na frente. Quando, porém, os governos já serão outros. Então, deixa pra lá mesmo.
Deixem Yoani vir
Não há nenhuma explicação, literalmente, e não deve haver explicação razoável para que o governo cubano impeça a blogueira Yoani Sánchez de sair do país. Essa política migratória está mais do que superada e o próprio presidente Raúl Castro já anunciou que deve mudar. Mas está demorando muito para isso acontecer.
Yoani é, na verdade, um blefe com um bom marketing. Foi plantada em Cuba pela CIA, depois de ter vivido muitos anos na Europa, para fazer o papel que tem feito: solapar internacionalmente o regime cubano. Por isso é, em Cuba, considerada uma mercenária a serviço dos Estados Unidos. Documentos comprovando seus vínculos com os norte-americanos já foram divulgados. É regiamente paga para fazer seu blog e escrever artigos publicados no exterior, e recebe o dinheiro veladamente ou por meio de prêmios e homenagens que segmentos ansiosos pela derrubada do governo cubano promovem.
Mas isso não justifica que seja impedida de viajar para o exterior. Recentemente Yoani não conseguiu argumentar e saiu desmoralizada de uma entrevista com um jornalista francês que mostrou saber mais de Cuba do que ela. Só sabe cumprir o roteiro escrito para ela e não resiste a um debate. Poderiam tê-la deixado vir e cumprir aqui as tarefas para as quais foi contratada. Cuba nada perderia com isso. Proibir é que foi um tiro no pé.
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